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"Hobbies são manias que protegem o mundo de nossa insanidade, adquira alguns e terá menos vontade de atirar objetos sobre outras pessoas."
Viviane das Graças Vieira


segunda-feira, 24 de maio de 2010

MINUTO MELADO

Este texto é antigo...
Faz parte das série: cartas
Sem nenhuma relação com condições atuais. 


Hoje encontrei um diário da minha adolescência, descobri que minha adolescência foi bizarra, ainda bem que passou... por isso encontrei um texto igualmente antigo para postar. Bem vindos ao minuto melado!



A última carta.
Doce e eterno amor,
 
Guardei este envelope por tanto tempo que já não me lembrava mais dele, já havia me esquecido desta última carta. Quando tudo terminou, eu só queria te esquecer, agora, depois de todos esses anos, me lembro que foi em meio a lágrimas e um último “adeus” que este envelope caiu de suas mãos.
Recordo-me daqueles dias; dias em que tudo só queria nos separar, e o “tudo” foi maior que o nosso amor. Amor de adolescentes separados pelo destino e pela distancia, amor atropelado pelo trem que partiu.
Com receio abro a carta, selando cada instante com um olhar ao mar. Em meio ao som das ondas, estas suas últimas palavras soam como música:
“Ainda que a vida nos separe, a eternidade nos unirá. Ainda te amo!
Talvez estas sejam meu último suspiro e estas minhas últimas palavras lançadas ao mar. Se nas águas de alguma praia encontrar esse bilhete, hoje ou amanha, só queria te dizer: “Tentei, mas nunca consegui te esquecer, eu também te amo!”
      Do seu amor para todo o sempre.

VIVIANE DAS GRAÇAS VIEIRA

domingo, 25 de abril de 2010

Discutindo o relacionamento

- Oi, precisamos conversar!
Não eram raros esses momentos, mas aquele parecia de fato importante. Os olhares se cruzaram, a mesma preocupação e tom de seriedade na expressão.
- Não é uma boa hora para discutir relação, o dia mal começou...
- Nenhuma hora é suficientemente boa, você sempre procura uma desculpa!
- Tudo bem, pode falar.
- Não estou gostando do seu comportamento!
- De que comportamento você esta falando?
- Você sabe!
- Seja especifica...
(suspiro) Instante de silêncio. A conversa não era simples, muita coisa precisava mudar. As coisas não estavam fáceis e há algum tempo se falavam com tanta franqueza.

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- Você confia em mim?
- Sabe que sim, isso é uma pergunta tola.
- É relevante!
- Tudo bem!
- Então, posso ser sincera?
-Achei que já estávamos sendo.
- Será que os comentários irônicos podem ficar lá fora?
- Alguém esta de péssimo humor! Não quero discutir, esquece a ironia. Mas seja objetiva.
- Engraçado mencionar foi o que você esqueceu ontem, a objetividade!
- Não acredito, é isso!
- Devia ver a cena, foi digna de pena. Quantas vezes você foi até o telefone? Isso é obsessão!
- Não foi bem assim! Eu estava esperando uma ligação, o som do telefone está baixo e algumas vezes não dá para ouvir chamar.
- Me desculpe, acho que não tive a informação completa; ele prometeu que ligaria?
- Deu a entender que sim.
- Isso foi o suficiente para mudar o telefone para seu quarto?
- Não me censure, fiz em favor da praticidade.
- Eu chamaria de...
- Do que?
- Esquece!


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- Porque acha que ele não ligou?
- Não sei, devia estar ocupado
- È, com certeza! Devia estar muito ocupado em um dia que está de folga do serviço, e as  vésperas de  um feriado. Provavelmente, estava atarefado com os preparativos para o almoço de Tiradentes.
- O que aconteceu com aquele papo sobre ironia?
- Isso não foi ironia, foi sarcasmo.
- Achei que fosse a mesma coisa.
- Não vem ao caso...

- O que você quer que eu diga? Que fui patética, tola, ridícula? Que a sombra da menor possibilidade, fiz o papel de uma romântica incorrigível, a espera de um milagre?
- Eu usaria só os dois primeiros adjetivos, mas pode definir como quiser

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Alguns segundos de silencio, enquanto toda cena dos últimos dias passam como um filme na mente. Nunca se encontrara nesta situação, há dias não era a mesma pessoa... Músicas românticas, poemas de Vinicius de Moraes, coraçõezinhos, florzinhas... Realmente, era de se estranhar. Não foi a toa que chegou a esse ponto.
Anos de faculdade e cursos, inteligência notável. Extremamente equilibrada ( nem tanto!), profissionalmente impecável, exímia oradora, viu-se sem palavras diante da sua atual condição.
Mais alguns minutos, até recobrar sua consciência. Riu consigo mesma, olhou de novo para aquela que a questionava, suspirou fundo:
- Você tem razão!
- E o que você  vai fazer?
- Eu já fiz.

- Você é incrível!
- É eu sei!

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Alguém bate na porta do banheiro:
- Vai demorar?!
- Não, já acabei!
Olha pela ultima vez o espelho, ajeita o cabelo e suspira ao encarar o reflexo ao sair: “Bom dia!”

VIVIANE DAS GRAÇAS VIEIRA





domingo, 11 de abril de 2010